30 de jan de 2009

Natália

Letra: Renato Russo


Vamos falar de pesticida
E de tragédias radioativas
De doenças incuráveis
Vamos falar de sua vida
Preste atenção ao que eles dizem
Ter esperança é hipocrisia
A felicidade é uma mentira
E a mentira é salvação
Beba desse sangue imundo
E você conseguirá dinheiro
E quando o circo pega fogo
Somos os animais na jaula
Mas você só quer algodão-doce
Não confunda ética com éter
Quando penso em você eu tenho febre

Mas quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você

É complicado estar só
Quem está sozinho que o diga
Quando a tristeza é sempre o ponto de partida
Quando tudo é solidão
É preciso acreditar num novo dia
Na nossa grande geração perdida
Nos meninos e meninas
Nos trevos de quatro folhas
A escuridão ainda é pior que essa luz cinza

Mas estamos vivos ainda
E quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você
Quem sabe um dia eu escrevo
Uma canção pra você

23 de jan de 2009

Ídolo


O que define um ídolo? Como uma pessoa se torna um ídolo para alguém?

Num site chamado "Dicionário inFormal", encontro a seguinte definição: "1. Figura, estátua ou imagem que representa uma divindade e é objeto de culto; 2. pessoa a quem se atributa grande admiração, demasiado respeito ou excessivo afeto."

Acredito que seja por aí mesmo. Um ídolo é uma pessoa que representa algo que te provoca arrepios, que mexe com seu coração, com seus brios. Que te influencia.


Tenho dois grandes ídolos. O primeiro que tive na vida se chama Raul Seixas. Foi ouvindo o Raul, com seu irreverente Rock das Aranhas, que depois corri atrás de mais músicas, mais sons novos... enfim. Eu tinha 13 anos quando ouvi pela primeira vez o Raulzito, e achei inacreditável aquelas letras e melodias. Além disso, fui atrás da história dele. Sempre ligado ao rock'n roll, o Raul foi um cara que fugiu dos padrões impostos por uma sociedade massacrada pela ditadura, destilando suas frases e posturas dignas de uma Metamorfose Ambulante.

Fui ficando cada vez mais alucinado à medida que ia entendendo suas letras e postura transgressora. Não tenho dúvidas seu jeito e sua música influeciaram na minha formação como pessoa, como homem. Raul Seixas é meu ídolo.

Só tem um probleminha: ele morreu em 1989. Portanto, nunca tive a oportunidade de vê-lo ao vivo... uma entrevista, um show. Um outro cara teve que ocupar esse espaço...


Até quem não gosta de futebol, já ouviu falar em Diego e Robinho. A geração do Santos Campeão de 2002 deixou marcas em todos, seja pela pouca idade dessa molecada, seja pela petulância das pedaladas.

O que a grande maioria não sabe é que, nesse time, existia um cara que não driblava como o Robinho nem dava passes geniais como o Diego, mas se entregava, suava a camisa (e ainda jogava monstruosamente bem). Lateral-esquerdo, envergando a jaqueta nº 3, o nome dele era Léo.

O Léo chegou no Santos em 2000, como um grande desconhecido. Vindo de algum União São João da vida direto para o Palmeiras, foi dispensado pelo Felipão (ele mesmo) logo de cara. Acabou vindo jogar no Santos.

Em pouco tempo, magicamente, com um futebol talentoso e de muita entrega, ele foi conquistando a torcida. Léo, a formiguinha, que ia fazendo cruzamentos e dava passes açucarados para os companheiros. Se tornou dono da faixa esquerda do campo e ídolo da torcida Santista.

Um dos dias mais tristes da história do Santos Futebol Clube foi em 13 de maio de 2001. Perdemos pro Corinthians, com um gol aos 48 do segundo tempo. Era a perda da passagem para a final, para a conquista certa de um título contra o irrisório Botafogo de Ribeirão Preto, e a soltura do grito de "É Campeão!" entalado havia 17 anos na garganta da Massa Alvinegra.

Eu chorava na arquibancada azul do Morumbi. Léo chorava no gramado.


Quase um ano depois, em 14 de abril de 2002, num solenidade em homenagem aos 90 anos do Santos ocorrida na Câmara Municipal de São Paulo, havia a presença de alguns jogadores. Cheguei no Léo, olhei em seus olhos e fulminei: "Você é o cara que mais honra essa camisa. Obrigado por tudo". A resposta: "A honra é que é toda minha de vestir essa camisa tão especial".

Mais de um ano e meio depois daquele fatídico Dia das Mães de 2001, estavamos novamente frente ao Gambás, num Morumbi chapado. Agora, eu estava na arquiba vermelha.

15 de dezembro de 2002. Pedalada, virada, nova virada, e um gol para selar a vitória por 3x2. Com o pé direito, no ângulo. De quem? Leonardo Lourenço Bastos, vulgo Léo.

A alma estava lavada. Eu e Léo chorávamos, mas agora de alegria.


Escrevo todo esse texto porque agora, em 2009, depois de 3 anos em Portugal, Léo volta ao Peixe. Aos 33 anos, e certamente sem o mesmo vigor físico de antes (mas indubitavelmente com toda a habilidade mantida), vem para honrar a Camisa 3 mais uma vez.

A Nação Alvinegra sorri. Temos a volta de um cara que jogou e deixou sua marca na história do Santos. Um cara que você admira pela suas atitudes. Por quem se possui afeto excessivo. Devoção incondicional.

Um Ídolo.


Bem vindo de volta, Léo!

Entre sem bater e fique a vontade. A casa é tão minha quanto sua.

7 de jan de 2009

Como fazer amigos e influenciar pessoas com um celular 3G


Fonte: É triste viver de humor!

4 [2005] - Los Hermanos



E então, em 2005, os Los Hermanos resolveram fazer um álbum histórico.

O 4 é um álbum tão bom e maduro que as referências falam por si só: temos a radioheadiana Pássaros, a floydiana É de Lágrima e, claro, a camelística Dois Barcos e a amarântica Condicional.

Inclusive, analisando criteriosamente a carreira dos Hermanos, existem muito mais semelhanças com a do Radiohead do que o acaso poderia sugerir.

Ambos começaram com discos, no mínimo, duvidosos ("Los Hermanos" e "Pablo Honey"), discos de "um hit só" ("Anna Julia" e "Creep"), que não mostravam claramente para onde as bandas apontavam. As viradas veio em seus segundos e mais pop álbuns ("Bloco do Eu Sozinho" e "The Bends"), a evolução e o auge em "Ventura" e "OK Computer" e então... "ah, vamos desfazer tudo e começar de novo", com os bestiais "4" e Kid A". A sensação é que foi exatamente isso que passou nas cabeças de Marcelo Camelo e Thom Yorke.

Atendo-se ao 4, vale destacar que ele não é um disco fácil. Se o "Ventura" foi a consolidação de uma banda que não possui fãs, e sim, seguidores, como fazer um álbum sem perder essa aura? Magicamente, os Hermanos conseguiram. O 4 mistura canções com máximo de beleza que Camelo consegue empregar, como em Dois Barcos, passando por criações mais maduras de Amarante, como Os Pássaros e o Vento, e chegando na tríade final Sapato Novo, Pois é e É de Lágrima. Esta última, inclusive, fecha o disco tão brilhantemente que lembra aquele fim apoteótico do Dark Side of the Moon com Eclipse. Coloque o volume no máximo e pire, se deixe levar.

Na verdade, a idéia aqui não é comparar a banda dona do melhor disco da década de 90 com Marcelo Camelo e sua trupe. O interessante é analisar as duas bandas pela ótica da trajetória: começo sem muita pretensão, com um segundo baita disco, seguido por álbum de criatividade e maturidade únicas. E então, as duas bandas olham e falam para si mesmas: "vamos agora sair dessa lenga-lenga e descobrir nossos próprios limites". E eles foram, esticaram ao máximo suas fronteiras e fizeram uma espécie de demarcação em sua música: "é aqui que agimos". Não tenho dúvidas que não existiriam discos como In Rainbows e Hail to the Thief se Yorke e turma não tivessem ido até à beirada fazendo o ótimo e esquisito Kid A.

Nesse momento de Little Joy e Camelo com o Hurtmold, a pergunta que fica é: conseguirão os Hermanos criar coisas tão interessantes nesse seara que vai do Ventura ao 4?

Não sei, ninguém sabe. Mas o fato inquestionável é: o 4 é um disco maravilhoso, criativo, original, e que já ocupa um lugar cativo na história do rock nacional.