
21 de out. de 2007
Mais uma da série "Perguntar não ofende"

19 de out. de 2007
Encontros e Despedidas. Episódio de hoje: "Renan Máximo"
Pensando nesses quatro anos que eu citei, fazendo uma conta rápida, por cima, se a gente dorme 8 horas, então restam 16, que dividimos entre 8 no escritório e mais 8 para outras atividades.
A conclusão dessas contas brilhantes é que: se passa um tempo gigantesco, significante no trabalho, e em companhia de pessoas que não se escolhe, em tese perfeitas desconhecidas.
Em tese.
Sendo o escritório um ambiente onde se passa muito tempo junto das mesmas pessoas, é mais do que natural que surjam amizades. E amizades mesmo, fortes: você se relaciona com pessoas que passa a gostar, admirar.
Uma outra coisa que faz parte do mundo corporativo são pessoas entrando e saindo das empresas constantemente. Os motivos são vários: melhor proposta de outro lugar, mudança de direção na carreira, etc.
Independente disso, o ponto da questão é: tem pessoas que convivem com você todos os dias e, de repente, elas se vão. Aquele “perfeito desconhecido” te deixa, sem mais nem menos.
Em 2006, apenas para exemplificar, partivemos duas “perdas” aqui no escritório; Clodoaldo, guerreiraço, amigo e verdadeiro exemplo lição de vida; e Charlito, um figura, peça rara, pessoa muito querida.
E isso vai ocorrer, mais uma vez. Hoje.
Chegou a vez do Renan nos deixar.
Não há dúvidas de que ele fará uma falta tremenda. Com quem vamos escurraçar os emos? Bater feijucas? Jogar um Wiizinho? Zuar as frases ridículas do Skype? Tomar uma breja e papear numa boa no Tagos? Principalmente: com quem vamos falar groselhas na hora do almoço?
Bom, Renan, paciência, a vida continua. É claro que você fará falta ao nosso dia-a-dia, mas desejamos que você detone tudo por aí. E tenho absoluta certeza que não falo só por mim, mas pelo Maia (principalmente), Rafa, Chiarella, Cabral, Miranda, Nico, Aline, Formiga, Morgado (hehe) e muitas, muitas outras pessoas aqui do escritório. Sua passagem no BuscaPé termina, mas a amizade, é lógico, continua.
Quanto a mim, nesse momento, só posso lhe desejar duas coisas:
Sucesso, meu velho. E tudo de bom.
"São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida
A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar"
(Milton Nascimento/Fernando Brant)
17 de out. de 2007
E o Santos ganha um lateral-esquerdo

Pois bem, começa o jogo. E não é que, com 15 minutos, o menino desconhecido bate uma falta lá do meio da rua, no ângulo do Cavallieri (seria o efeito "Nílton", ocorrido no Santos x Corinthians desse segundo turno do campeonato)? E no segundo tempo então? Mais uma falta. Em seguida, um petardo de longe; além disso, marcação eficiente e boas tabelas com Tabata e Pedrinho. Enfim, um garoto completamente desconhecido que assumiu a responsabilidade e mostrou personalidade.
Quando chego em casa, vejo na TV: era Thiago Carleto, garoto de 18 anos, da base, que aquele dia envergara a 3, manto este que já foi de Léo e hoje é de Kléber.
Tudo bem que foi só um jogo mas, na minha opinião: Carleto titular da esquerda já, e Kléber com a 11, no lugar do irregular Pedrinho. E Pet e Tabata que briguem pela 10. Quanto ao Carlinhos, atual reserva e que está ausente devido a uma cirurgia na panturrilha, pode começar a procurar outro clube.
E assim o Santos FC vai mantendo uma lateral esquerda de muita qualidade nessa década.
11 de out. de 2007
Memória: 45 anos atrás, Santos campeão mundial

Por ODIR CUNHA
Em 11 de outubro de 1962, uma quinta-feira como hoje, na velha e bela Lisboa iluminada pela magia de um futebol que nunca mais se viu, Benfica e Santos fizeram a segunda partida da decisão do Mundial Interclubes. Ah, tempos que lembrados agora parecem sonho, pois vivia-se o deslumbramento do futebol-arte! Santos e Benfica falavam não só o mesmo apaixonante idioma de Camões, mas também compartilhavam a mesma linguagem da beleza, da classe, da coragem e do jogo limpo. Um verdadeiro encontro de dois mundos gêmeos, que não pode jamais ser esquecido.
Como esquecer uma partida que tinha Pelé e Eusébio no esplendor de suas carreiras? Que tinha o Santos, base da Seleção Brasileira bicampeã do mundo, contra o Benfica, autêntica Seleção de Portugal, que desfrutava o melhor momento de sua história? Como não fechar os olhos e imaginar o Estádio da Luz iluminado pela magia dos craques?
Nunca me conformei de que esta data passasse batida na história do Santos e do futebol brasileiro. Mais do que representar a primeira vez que um time nacional se tornou campeão do mundo, ela simboliza uma época que dificilmente será revivida. Quem viu, viu. Quem não teve a benção de ver, só mesmo através da literatura.
Por isso decidi pesquisar mais sobre o jogo, sobre aquela época, e escrever "Donos da Terra", a ser lançado nos próximos dias pela Editora Realejo, ou Realejo Livros, de Santos. Neste momento, o editor de arte Luis Carlos Almeida está juntando palavras e imagens que logo estarão à disposição dos santistas e dos amantes do futebol. Santos tem a sorte de ter uma Editora como a Realejo, do jovem e idealista José Luiz Tahan, que preserva as boas coisas da cidade em obras esmeradas, imprescindíveis.
O melhor do livro
Se me perguntassem o que o livro tem de melhor, eu responderia:
1 - O depoimento de jogadores do Benfica que participaram da partida, tais como: Eusébio, António Simões, José Augusto, Humberto Fernandes e Fernando Cruz
2 – Fotos inéditas, extraídas de fotogramas do Canal 100.
4 – Cobertura da partida, com fatos anteriores e posteriores ao evento.
5 – Uma boa visão daquele dia, mês e ano, dos acontecimentos daquele início de anos 60.
6 – A beleza da edição de arte.
7 – A concisão, o texto enxuto e, por conseqüência, uma obra sem exageros também no preço, que caberá no bolso de todo leitor.
Benfica 2, Santos 5
Primeiro tempo: Benfica 0, Santos 2.
Data: 11 de outubro de 1962 (quinta-feira)
Horário de Lisboa: 22 horas.
Horário do Brasil: 19 horas.
Local: Estádio da Luz, Lisboa.
Árbitro: Pierre Schinter (França), auxiliado por Steiner e Boalilou.
Público: Cerca de 80 mil pessoas, com 73 mil pagantes.
Renda: 2,5 milhões de escudos.
Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Caven e Jacinto; José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.
Santos: Gilmar; Olavo, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luís Alonso Peres (Lula).
Gols: Pelé, aos 17 e 26 minutos do primeiro tempo; Coutinho, aos 3, Pelé, aos 19, Pepe aos 31, Eusébio, aos 41, e Simões aos 44 minutos do primeiro tempo.
Vai começar o espetáculo!
11 de outubro de 1962, Estádio da Luz, Lisboa.
Em um jogo deslumbrante, o Santos goleia por 5 a 2 o Benfica, bicampeão europeu, e se consagra o primeiro time brasileiro campeão do mundo. Pelos comentários dos jogadores, do árbitro e da imprensa dá para se ter uma idéia do impacto que aquela partida provocou no mundo do futebol.
"Um espetáculo. Foi uma noite excepcional do futebol. Mesmo perdendo por 5 a 2, nós não nos sentimos derrotados. Saí de campo com uma impressão diferente do que era futebol. O Santos era superior porque tinha jogadores excepcionais. O Santos tinha um time maravilhoso" (José Augusto, ponta-direita do Benfica e da Seleção Portuguesa).
"É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Eu comparo o Santos de 62 com a Seleção do Brasil de 70. Considero as duas as melhores equipes de futebol que eu vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já vinha demonstrando há muito tempo" (Simões, ponta-esquerda do Benfica e da Seleção Portuguesa).
Sim, neste momento o Santos é imbatível. Seus jogadores se aplicam com ardor, não me parece viável que algum time posso vencê-lo" (Vittorio Pozzo, técnico bicampeão mundial pela Itália em 1934 e 38).
"Em cada posição o Santos tinha jogadores extraordinários, mas foi o Pelé que fez mais. O Pelé é um jogador como ainda não conheci. Ele estava impossível de ser marcado" (Humberto, zagueiro-central do Benfica).
"Mas não era só o Pelé. Tinha o Pepe, o Zito, o Coutinho, o Dorval... Era uma equipe extraordinária" (Fernando Cruz, lateral-esquerdo do Benfica e da Seleção Portuguesa).
"O Santos é uma equipe quase perfeita. Joga sereno, seus homens sabem se desmarcar e fazer passes, todos eles possuem um controle de bola excepcional" (Matt Busby, técnico do Manchester United).
Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved (Gabriel Hanot, editor do L’Équipe).
"Foi a melhor partida que vi em toda a minha vida" (Pierre Schwinte, árbitro do jogo).
"O Brasil tem também o melhor clube do mundo"
(France Football, França).
"O que se pode dizer do Santos? Ontem, qualquer equipe teria sucumbido sob sua potência" (Diário de Notícias, Portugal).
"Não há nem pode haver melhor" (Gazeta Esportiva, Brasil).
O fatos do dia, do mês, do ano, os preparativos para o grande confronto, os elencos fantásticos de Santos e Benfica, os geniais Pelé e Eusébio, os lances da partida – enfim, neste livro você terá todas as informações sobre um dos jogos mais importantes da história do futebol, aquele que marcou o auge da era do beautiful game e consagrou o primeiro time brasileiro campeão do mundo, o insuperável Santos de Pelé.
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Odir Cunha é autor de "Time dos Sonhos, a história completa do Santos F.C"; "Pedrinho escolheu um time" e "Heróis da América, a história completa dos Jogos Pan-americanos".
Nota do blog: Um dia ouvi de Pelé que esta partida diante do Benfica foi a melhor exibição de um time que ele viu em sua vida.
O Feitiço virou contra o Feiticeiro

10 de out. de 2007
Radiohead e Thelonious Monk: provas de que “Música é Tudo”

Falemos primeiro de Thelonious. É uma honra poder falar sobre o meu primeiro e, até hoje, mais importante ídolo dentro do Jazz. Foi de um disco “roubado” de meu pai que ouvi, pela primeira vez, “Ruby, My Dear”, música que entrou pelos meus ouvidos e, mal sabia eu, mexeria na minha mente e no meu jeito de ser por completo, daqui por diante. Posteriormente, correndo atrás, descobri que ele tocava piano de um jeito todo esquisito, anormal, além de comprovadamente sofrer de doenças psiquiátricas. Esse tipo de coisa só me fez ficar ainda mais fã dele. Até então, conhecia pouquíssimo sobre Jazz, e essa canção foi, certamente, o gatilho para que eu fosse fundo nesse gênero musical, me tornando fã de Charlie Parker, Miles Davis, entre tantos outros. Monk abriu as portas para que eu adentrasse nesse mundo completamente encantador e charmoso, repleto de histórias sobre preconceito, drogas e música como forma de libertação. Minha sugestão, para quem quiser correr atrás, é documentário Jazz, de Ken Burns: uma obra prima sobre esse estilo musical.
Seguimos com o Radiohead. No início da faculdade, o Cotta me emprestou o The Bends e o OK Computer. Discos que hoje estão entre, certamente, os 10 mais da minha vida, à época eram só “música estranha, bizarra”... quem era o esquisito desse Thom Yorke? Provavelmente, com meu gosto musical mais amadurecido, mais apurado, comecei a entender, curtir mais a proposta dos caras. Não sei quando nem onde, me vi completamente fanático, apaixonado pelo som deles. Na minha opinião, o Radiohead se encaixa num nível, numa categoria, que pouquíssimos artistas conseguem estar (pra ser honesto, só consigo colocar o Radiohead e o Milton Nascimento): o de te provocar sensações e emoções únicas, que ninguém mais consegue. Não é questão de melhor ou pior; pode-se gostar ou não deles, mas uma coisa é fato: ninguém consegue fazer a música deles, como eles. O Radiohead não segue moda; ele a dita, ele dita as influências a serem seguidas pelos outros.
Monk completando 90 anos. Radiohead lançando disco em um novo formato. Hoje é mesmo um dia especial na história da música, para dois monstros sagrados que cravaram suas marcas. E é curtindo o som de bandas como Radiohead ou do piano de Thelonious Monk que fica mais do que comprovada a tese.
Música é Tudo. Absolutamente Tudo.
9 de out. de 2007
Monica Veloso, mae da filha, na Playboy

Sem dúvida alguma, a mulher da semana é Mônica Veloso. Ainda mais com a nova denúncia contra Renan Calheiros, o assunto mais quente (tirando a já enfadonha história do Rolex do Huck) é o ensaio da jornalista para a Playboy.
Além de termos uma situação que espelha bem a zona que é o Brasil (olha o enredo de novela das oito: “mulher que teve filha com senador acusado de vários atos ilícitos sai pelada numa revista), um novo fato surgiu nessa história toda: o curioso cargo que Mônica carrega.
Quando se lê um texto jornalístico, sempre temos a referência das pessoas citadas. Chico Buarque, cantor e compositor; Paulo Autran, ator; Roberto Justus, empresário. Mônica inaugurou um novo cargo: ela é “mãe da filha”. Isso é ainda mais brilhante pelo fato de que ela nunca foi nada oficial do senador, portanto, não se pode chamá-la de “mulher”, “ex-esposa”, “ex-ficante”, nada. Ou seja: ou a imprensa a chama de “jornalista”, termo não vendável para a repercussão do escândalo, ou então o exótico “mãe da filha”.
É isso aí. O cargo da Mônica Veloso, mãe da filha, retrata bem a palhaçada na qual vivemos: filhos da mãe (para não dizer outras progenitoras) nos fazem de trouxas e apenas assistimos a isso tudo, calados. Com a Playboy na mão.
8 de out. de 2007
Fábio Eitelberg na internet

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