23 de set. de 2007

A obrigação de ser feliz

por Danuza Leão

ELA HAVIA combinado de jantar com amigos no restaurante mais novo da cidade, que, além de ser lindo e caríssimo, parece que se comia muito bem; se encontrariam lá às 10h. Mas naquele dia não estava muito bem. Para dizer a verdade, estava mal, e sem nenhuma razão especial para isso (como se precisasse).

A pele estava sem viço, o cabelo ruim, mas pensou que quando chegasse e tomasse uma bebida tudo ia melhorar. Pegou um táxi, e o trânsito estava péssimo, tudo parado.

Olhou para o lado direito, a calçada vazia; à esquerda, um ônibus parado.

O motorista, jovem, parecia calmo, mas olhou várias vezes para o relógio; alguém devia estar esperando por ele, pensou.

E pensou também no seu quase tédio, que estava indo para um restaurante cuja conta seria provavelmente mais alta do que ele ganhava em um mês. Ficou pior e começou a pensar.

Como seria a vida daquele motorista? Se às 10h da noite ele ainda estava trabalhando, devia ter começado pelas 2h da tarde -isso se não fizesse um biscate na parte da manhã.

Devia morar longe, e ainda ia ter que pegar uma condução para chegar em casa, o que seria lá pelas 11h. A essa hora a mulher talvez já estivesse dormindo, e ele ia ter que fazer um prato e botar para esquentar antes de cair na cama, morto de cansaço, sem ter com quem falar. O que será que ele pensava da vida? Teria planos para o futuro? Planos de melhorar de vida e poder ir a uma pizzaria aos sábados, tomar uma cerveja, voltar para casa e dormir abraçado com a mulher, sabendo que no dia seguinte ia poder acordar mais tarde, botar uma bermuda e ficar em casa de bobeira, vendo qualquer coisa pela televisão?

O trânsito não andava, e ela só prestava atenção nele. Nele, que parecia conformado, cumprindo sua obrigação, sem pensar em nada a não ser no trânsito, que não era para estar assim parado àquela hora. Teria acontecido algum acidente?

Daí a pouco os carros começaram a andar, o táxi virou à direita, e dez minutos depois ela chegou ao tal restaurante. O bar estava cheio, e a música -moderna- tocava alto o suficiente para que não se pudesse conversar, a não ser falando bem alto. Fez um esforço para ficar alegre; era preciso estar alegre, ou pelo menos fingir que estava. Tomou o primeiro drinque, tomou o segundo, mas naquela noite estava difícil.

Voltou a pensar no motorista, imaginando que ele só devia estar querendo uma coisa: chegar em casa e se atirar na cama. E pensou nela mesma, que não queria nada; que tinha tudo que uma pessoa pode ter, teoricamente, para ser feliz, e que estava tão mal. Se sentindo mais só do que nunca, apesar de rodeada de amigos, amigos legais que gostavam dela e de quem ela gostava, mas querendo a mesma coisa que qualquer pessoa normal: chegar em casa, se atirar na cama e ver o final de um filme bem ruim, sem precisar ser inteligente, charmosa, engraçada.

Pediu um terceiro drinque, deu risada de uma história que contaram, contou a sua, e quase sentiu inveja do motorista, que ia deitar e dormir sem precisar tomar nenhum comprimido, sem pensar em para que se nasce e para que se vive.

Enquanto ela ia continuar fazendo o que sempre fez na vida, aliás com muito talento: fingindo que era feliz.


danuza.leao@uol.com.br

31 de ago. de 2007

Perguntar não ofende


1 - O Bosco será severamente punido por fingir uma agressão (pilha na cabeça), criando todo um teatro louco e desprovido de qualquer razão ou motivo? Não é caso tão ou até mais grave do que o do Rojas?

2 - Até quando o Santos ficará jogando na Vila Belmiro, para públicos que passam os limites do pífio? O mais sensato não seria jogar SEMPRE em São Paulo onde, com seus 2 milhões de torcedores, sempre ocupa pelo menos 80% da capacidade do estádio, seja ele Pacaembú ou Parque Antarctica?

28 de ago. de 2007

Mino Carta e a invenção do Mensalão pela mídia golpista


Em que planeta vivem sujeitos como Mino Carta e Paulo Henrique Amorim?


Aviso aos navegantes: se cai a acusação de formação de quadrilha, no caso dos figurões envolvidos no mensalão, volta-se, automaticamente, ao que sempre esteve claro. Ou seja, assistimos a mais um clássico da ligação criminosa entre políticos e empresa privada, pela tangente tradicional do Caixa 2. Donde: o mensalão nasceu da fantasia jeffersoniana, prazerosamente repercutida, alimentada e estufada pela mídia. A mazela é imponente, sem dúvida. Gravíssima. Insuportável em um país que se apresenta como democrático. Mas, infelizmente, está longe de ser entrecho novo em folha. E não é mensalão.

enviada por mino"

27 de ago. de 2007

“Boleiros 3”, por Antoine Gebran, vice de futebol do Corinthians

Caro amigo, você já teve a oportunidade de assistir a algum dos filmes “Boleiros” (98) e (06), de Ugo Giorgetti? Caso a resposta seja negativa saiba, primeiro, que você está perdendo um filme delicioso. Em segundo, para deixá-lo a par, basicamente a história dos dois filmes giram em torno de históricas típicas do nosso futebol, como: as tradicionais mesa redondas de domingo, o craque em final de carreira, o jovem e imaturo craque vendido muito cedo para europa, entre outros. Como eu já escrevi, o filme conta histórias folclóricas do futebol. O que me espanta, na verdade, é ver que ainda existe dirigentes, como o novo vice de futebol do Corinthians, Antoine Gebran, que ainda vivem nessa realidade.Logo depois da demissão de Carpegiani, Antoine Gebran deu uma entrevista coletiva para a imprensa. Eis que, então, o que se viu foi a mais completa falta de noção da realidade do futebol de hoje em dia. A entrevista foi populada por pérolas como “eu não estava gostando do time, não via nenhuma jogada”, o novo técnico tem que ser inovador, criativo, vencedor, experiente” (qual não deve ser?), “não temos dinheiro, não é possível contratar Kaká e Ronaldinho Gaúcho” e, na minha opinião, a maior das perolaças: “meus amigos, vocês sabem como é: a camisa do Corinthians joga sozinha”. E o argumento de que “estou aqui falando como torcedor, e não como dirigente”, apenas corrobora com a tese do amadorismo absoluto.Honestamente, numa época em que cada vez mais se fala em planejamento e técnicos com trabalho em longo prazo, é inacreditável que, em um dos maiores clubes do país, o dirigente que comanda seu futebol ainda venha com ladainhas populescas. Na já amadora administração do Corinthians, nada mais retrógrado e fadado ao fracasso.Como santista, tudo o que pude fazer foi dar risada. No entanto, se fosse corinthiano, estaria bem preocupado. Nem sei se esse Antoine Gebran já fazia parte do conselho do Corinthians, não sei de onde ele saiu. O que sei é que nunca vi uma pessoa tão despreparada para tal função.

8 de fev. de 2007

Indignação com a Folha de São Paulo

Sou assinante da Folha de São Paulo há mais de 4 anos, desde Agosto de 2002.

Resolvi ligar para cancelar minha assinatura, pois, apesar de adorar o Jornal, não tenho tido mais tempo de lê-lo.

Apesar de meu longo relacionamento com a empresa, fui tratado como um consumidor qualquer, por um atendente que apenas quis me convencer, insistentemente, de continuar com o jornal. Foi um monólogo patético do vendedor, apenas me cobrando justificativas do porquê de parar de assinar o jornal, sem me oferecer reais vantagens de continuar com a empresa.

Finalmente, depois de ter sido "desqualificado" pelo vendedor, acabei conseguindo efetivar o cancelamento da minha assinatura.

Depois de todo esse desgastante e estressante processo, eis que eu descubro que, enquanto para mim, assinanante do jornal há mais de 4 anos, fiel, com renovação automática, que nunca ganhou nada, a Folha não oferece nada de especial, para um qualquer, que nunca leu o jornal na vida, ela oferece mil brindezinhos e coisinhas para atrair novos assinantes.

Veja só, confira você mesmo => http://assine.folha.com.br/folha/assinatura/wass0085.asp

Ou seja: eu, um consumidor ativo da Folha, sou tratado como ninguém. Já um qualquer pode ir lá e assinar o jornal apenas por causa de um DVD Player, um Secador ou um Videogame.

Lamentável, Folha. Vcs não tem o Depto de Relacionamento? Vcs só pensam nos novos assinantes e esquecem os antigos? Vcs não sabem que é mais fácil, mais barato e agrega mais valor à Marca manter um leitor ativo do que apenas explorá-lo, e investir esforços apenas nos novos usuários?

Sem mais,
Thiago Reimão

Mais senso crítico e menos Lucio Ribeirisse


A definição de Indie por um Indie, segundo a Desciclopedia, é a seguinte: “Sou extremamente culto, inteligente. Me visto de maneira fuckin' stylish e tenho gostos excelentes. Odeio tudo que é pop. Amo o underground.”

Por que eu comecei esse artigo com essa definição? é que o Indie não se aplica apenas a músicas, mas sim a qualquer situação onde impere a questão da novidade, do recente, do algo novo. Veja mais esse trecho: “Para se afirmar ”real" na tribo Indie, o mesmo deve eleger como banda preferida uma banda que ninguém mais conhece e dizer que é a melhor coisa do mundo e, se ele conhecer mais pessoas que conheçam a banda, ele a considerará mainstream e elegerá outra banda desconhecida como sua preferida.”

O representante-mór da tribo indie é um jornalista chamado Lucio Ribeiro, especialista em novidades do mundo do rock. Indie rock, é claro. Ou seja, qualquer banda que seja do underground, que não tenha gravadora, que distribua suas música apenas via internet, com os My Space e Last.FM. E, o mais importante, claro: que absolutamente mais ninguém tenha ouvido falar.

Bom, enquanto esse for um estilo(???) apenas do Lucio Ribeiro, menos mal. Ninguém é obrigado a ler os textos do rapaz.. No entanto, a coisa começa a ficar feia e chata quando esse fenômeno se espalha para outras áreas do enttretenimento, que é o que está ocorrendo agora com os já saturados seriados americanos.

O melhor seriado do mundo até pouco tempo atrás, Lost, agora é substituído por um tal de Heroes. Algumas pessoas já vieram falar para mim, com brilhos nos olhos, que Heroes é a coisas mais sensacional da face da terra.

O momento auge para essas pessoas é quando você argumenta com um simples e factual - “mas como eu vou assistir a esse seriado se ele não passa no Brasil”? - a resposta vem imediata: “oras, eu baixei na internet. Assim que passa no Estados Unidos, eu já baixo na Internet”.

Ahá! Achamos o ponto! Analisemos com calma: a mesma pessoa, a singular e única pessoa que se predispõe a ir até o computador e baixar o episódio do tal seriado minutos depois de passar nos USA, depois vem e vocifera com todas as letras que é a coisa “mais legal que ela já viu na face da Terra”. Qual a relação?

Vejo com tristeza que estamos criando uma geração de “Lucios Ribeiros”, onde o verdadeiro hype não é o seriado em si: poderia ser o Lost, o Heroes, o Vilains, o raio que o parta: o que importa mesmo é ver antes do outros e propagar para todos os cantos: “sim, é a coisa mais legal do mundo!”. Mais ou menos como um típico Indie fala sobre uma banda nova. Neste novo cenário, o “legal” é ser o único a ter visto, não importando a qualidade do programa em si.

Alerta vermelho! Temos pela frente o perigo iminente de cair numa cilada: um novo tipo de tribo, onde o sujeito ter ou não visto algo o desqualifica de forma veemente.

Uni-vos, pessoal: se tal programa, banda, filme ou o que quer que seja, for merecedor de crédito, façamos isso. Agora, ficar elogiando algo apenas porque você viu e os outros não, é patético. Por favor: mais senso crítico e menos Lucio Ribeirisse.

22 de jan. de 2007

10 de jan. de 2007


Existe algo que você odeia em sua vida? Ódio mortal? Aflição? Não pode nem chegar perto, nem pensar? Acredito que sim.

Existem três coisas que guardo para mim como as que "mais odeio na minha vida". Uma delas é aranha. Putza merda, num posso ver um bicho desses, por menor que seja, na minha frente. Prefiro mil vezes uma cobra na minha frente do que uma baita arainha. Tudo graças aquela porra de filme Aracnofobia. O engraçado é que o Homem-Aranha é o meu super herói preferido.

Outra coisa que me aterroriza é altura. Ir naquela cadeirinha que despenca lá do alto no Hopi Hari? Nem se me pagarem R$ 10.000, 00. Esse ano, estava em Curitiba, na sacada do apê do Coxa, 20º andar. O Bana foi me mostrar o Couto Pereira, estádio fo Coritiba, mas tinha que ficar meio esticado na varanda. Nem fudendo! Fiquei agarrado à porta de vidro. Não vi o estádio mas tb não enfartei, de me ver diante daquela altura gigante.

Mas o campeão mundial pra mim é, sem dúvida, exame de sangue. Eu DUVIDO que alguma pessoa passa incólume a essa dissaborosa sensação. Peguei esse trauma logo de infância, e ele perdura até hoje. Nesse meio tempo, até exames de sangue com 01 e 03 horas de duração eu tive que fazer. É mole? Justo eu, que odeio fazer essa merda, por mais que sejam apenas 15 segundos de picadinha?

Eu tenho que fazer exame de sangue todo ano; devo monitorá-lo, devido a um problema de tireóide. Ou seja, além de odiar fazer essa merda, tenho que colher sangue periodicamente, todo ano, por obrigação. Que merda, ein?

Ontem fui fazer exame de sangue mais uma vez. Cheguei lá, sentei na salinha e já mandei pra simpática menina: "Olha, não vou olhar mais nada daqui pra frente, OK"? E ela mandou um "tudo bem". Em seguida, tive que esticar os braços, para que ela verificasse qual o melhor braço para colher o sangue. Caralho, vou te dizer: nessa hora, o estômago já começa a dar reviravoltas, a cabeça fica mais pesada, os olhos teimam em cerrar em definitivo... desespero total.

Em seguida, aquela limpadinha com álcool bem na parte "frontal" do cotovelo, na dobra do braço. O garrote amarrado no braço. A mocinha pede para que eu feche a mão. A vertigem começa a bater mais forte. Ela pica. O coração vai a mil. Acaba logo, ACABO LOGO, penso eu. Em seguida, bobagens correm minha mente: "E seu eu desmaiar? E se eu, simplesmente, puxar meu braço fora? E se... e se...."

"Calma, tá acabando, falta só um tubinho". Um tubinho?? Ainda tem a porra de um tubinho??? Não tenho mais forças. Não há mais como aguentar. Penso em correr, fugir, gritar. Deus do céu. Não mereço isso.

Acabou. Peço água. Não tem. O médico se predispõe a ir pegá-la. Eu aceito e agradeço. A menina manda um "você ficou com o lábio pálido". A mim não espanta: apenas o lábio? Me surpreende eu não estar morto, estribuchando aqui no chão.

Acabou. Como uma bolacha, dando fim ao jejum que já durava mais de 12 horas. Respiro aliviado. Me sinto um herói, mais uma vez. Consegui. Consegui, caralho! Uhuhu, agora só ano que vem!

Caralho... pensando bem... ano que vem tem outro. E no outro, mas uma vez. E no outro. E assim por diante, até o último dia da minha vida.

É, seringa, garrote, sangue, aveias e aquele bagulhinho onde se apoia o braço para o ato: acho que é melhor a gente começar a se dar bem. Afinal de contas, ainda nos encontraremos muitas vezes até o final dessa minha vida severina.