25 de out. de 2007

Mídia "empurra" números fantasiosos

Por Antonio Carlos Teixeira (*)

Nos últimos dias, o assunto da vez nos sites esportivos, blogs e grupos de discusão pela internet ou e-mail foi um só: a pesquisa CNT/Sensus sobre as maiores torcidas do Brasil. Pode-se afirmar, com segurança, que os números absolutos estão inflados em pelo menos dois terços. Talvez não por culpa do instituto que os elaborou, mas, principalmente, pela falta de zelo de parte da mídia esportiva ao divulgá-los.

Os menos atentos acabam chegando à conclusão de que o Flamengo, por exemplo, tem hoje 26,928 milhões de torcedores, o equivalente a 14,4% da população brasileira, de 187 milhões, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas). Por essa avaliação, o Corinthians, o segundo colocado, com 10,5% da preferência dos brasileiros, teria 19,635 milhões de torcedores. Pura fantasia. Ocorre que não se leu nem se ouviu qualquer questionamento sobre essa contagem absurda. Os percentuais, até prova em contrário, devem estar corretos; os números absolutos jamais.

Tal qual na polêmica do milésimo gol de Romário, a mídia esportiva silenciou-se. Teria sido extremamente válido que os dados divulgados pelo CNT/Sensus fossem dissecados para que nos aproximassem um pouco mais da verdade. Revirei a internet, assisti a programas de TV e ouvi outros tantos de rádio. Mas nada. Pode ser que um ou outro jornal, rádio, site na internet ou TV tenha feito essa ponderação. Mas, no geral, as notícias seguiram na mesma linha, o de que o time de maior torcida chega a ter 30 milhões aficionados.

Deu vazão a discussões intermináveis nos fóruns e chat na Web. Flameguistas e corintianos, por exemplo, brigando entre si. Os primeiros dizendo que seu time tem mais de 30 milhões de torcedores; os outros garantindo que o seu se aproxima da quantidade do rival. E tome exageros.

59 milhões de torcedores, no máximo

Sabe-se que é impossível que os 187 milhões de brasileiros gostem de futebol. Pior: é fato que apenas 10% das mulheres torcem para algum time. Elas são maioria no país, com 97,24 milhões, contra 89,76 milhões de homens. De cara, já podemos excluir da contagem mais de 87 milhões de brasileiros do sexo feminino.

O IBGE também traz o número dos brasileirinhos entre 0 e 9 anos. Temos 30,8 milhões de crianças nessa faixa de idade, as quais não entram nas estatísticas do futebol ou nunca respondem a pesquisas de opinião, por questão óbvia. Bem, somando-se o número de mulheres que dão de ombro ao futebol e as crianças entre 0 e 9 anos, teríamos 128 milhões de pessoas que não têm time de futebol.

Nesse caso, o Brasil teria apenas 59 milhões de "amantes do futebol". O discurso de que temos 187 milhões de técnicos de futebol não passa, claro, de lugar-comum, chavão, clichê. E, entre esses 59 milhões de torcedores, há os simpatizantes - aqueles que nunca assistem a jogo de futebol, não fazem questão alguma de ter camisa ou acessório de clube.

Mas, para não radicalizar, adotemos o número de 59 milhões para começarmos a debater com um pouco mais de coerência os dados da pesquisa. Nesse caso, se os percentuais aferidos estiverem corretos, haveria 8,496 milhões de flamenguistas, de fato a maior torcida do país. Seguidos de 6,195 milhões de corintianos, 4,720 milhões de são-paulinos (8%), 4,248 milhões de palmeirenses (7,2%), 3 milhões de vascaínos (5%), 2,301 milhões gremistas (3,9%) e 2,183 milhões de santistas (3,7%).

Mas sejamos menos rigorosos. Vamos incluir nas nossas estatísticas as cerca de 30 milhões de crianças entre 0 e 9 anos, o que eleva o número dos que torcem por algum time de futebol para cerca de 90 milhões. Com isso, a quantidade de flamenguistas chegaria a 13 milhões, a de corintianos, 9,5 milhões, e os são-paulinos seriam 7,2 milhões. Teríamos ainda 6,48 milhões de palmeirenses, 4,5 milhões de vascaínos, 3,5 milhões de gremistas e 3,33 milhões de santistas.

A pesquisa CNT/Census, contudo, traz observação que, diferentemente do que tem sido divulgado por jornalistas menos comprometidos com a verdade, aproxima-se um pouco da nossa avaliação. De acordo com o levantamento, 28,4% dos pesquisados afirmam não torcer por nenhum time de futebol. Entre os entrevistados, 15,4% afirmam gostar "mais ou menos" do esporte, enquanto outros 51,9% dizem gostar. Pior: das pessoas ouvidas, 32% dizem não gostar de futebol.

Na verdade, os institutos de pesquisas fazem os levantamentos e os negociam com alguma entidade ou veículo de comunicação. A mídia - que os usa para vender mais jornal ou aumentar a audiência, o que é legítimo - os divulga sem qualquer contraponto, ou questionamento. O dever de informar, com precisão, passou ao largo nessa questão.

E, assim, o público amante do futebol vai se alimentando de números e dados mentirosos, a ponto de haver cartola dizendo por aí que, "num futuro próximo", seu clube atingirá 30 milhões de torcedores; outros garantindo que chegarão a 25 milhões, 20 milhões. E nós, como leitores, ouvintes e telespectadores, somos obrigados a engoli-los sem água.

(*) Antonio Carlos Teixeira é jornalista em Brasília

Faltam 62 dias para o Natal no BuscaPé

"Façamos baixar o espírito do Natal antes mesmo de Finados"
(Claudia Uehara)

22 de out. de 2007

"Culinária santista" na Wikipedia

Acabei de criar o item "Culinária" dentro do wiki de Santos na Wikipedia.

Se quiser alterar alguma coisa, acessa lá! => http://pt.wikipedia.org/wiki/Santos

Por enquanto, ele está assim:


=== Culinária santista ===

Em Santos, existem algumas maravilhosas iguarias a serem degustadas. As principais são:

*Média: É assim que o pão francês é chamado na cidade. Nem tente pedir por um "pãozinho", os funcionários na padaria não entenderam o que você está solicitando. Apenas peça "6 médias" ou algo do tipo.

*Pão-de-Cará: delicioso pão de leite.

*Mexicano: consiste de média recheada de carne moída. Prato típico das festas juninas.

*CPE, ou Centro de Paqueras do Embaré: a orla da praia de Santos é repleta de Quiosques, todas oferecendo lanches monstruosos de tão grandes, e por preços módicos.

Se o Capitão Nascimento fosse político?

Clique para ampliar, vale a pena.

Crocodilo Dundee & Zé Carioca

Aprendendo a pescar


21 de out. de 2007

Mais uma da série "Perguntar não ofende"


O que é pior: ver o Santos, dos craques Vítor Júnior e Petkovic, jogar incompetentemente mal por 90 minutos e perder o jogo para o Figueirense, quase saindo do G4; ou depois do jogo, ter que ouvir o "500 paus/mês" Luxa dizer que o culpado pela derrota foi o juiz (que, diga-se de passagem, apitou muito bem e teve zero influência no resultado)?

19 de out. de 2007

Encontros e Despedidas. Episódio de hoje: "Renan Máximo"


Estou no BuscaPé há quase quatro anos, e hoje, provavelmente, seria apenas mais um dia normal de trabalho. No entanto, eu sei que não será.

Pensando nesses quatro anos que eu citei, fazendo uma conta rápida, por cima, se a gente dorme 8 horas, então restam 16, que dividimos entre 8 no escritório e mais 8 para outras atividades.

A conclusão dessas contas brilhantes é que: se passa um tempo gigantesco, significante no trabalho, e em companhia de pessoas que não se escolhe, em tese perfeitas desconhecidas.

Em tese.


Sendo o escritório um ambiente onde se passa muito tempo junto das mesmas pessoas, é mais do que natural que surjam amizades. E amizades mesmo, fortes: você se relaciona com pessoas que passa a gostar, admirar.

Uma outra coisa que faz parte do mundo corporativo são pessoas entrando e saindo das empresas constantemente. Os motivos são vários: melhor proposta de outro lugar, mudança de direção na carreira, etc.

Independente disso, o ponto da questão é: tem pessoas que convivem com você todos os dias e, de repente, elas se vão. Aquele “perfeito desconhecido” te deixa, sem mais nem menos.

Em 2006, apenas para exemplificar, partivemos duas “perdas” aqui no escritório; Clodoaldo, guerreiraço, amigo e verdadeiro exemplo lição de vida; e Charlito, um figura, peça rara, pessoa muito querida.

E isso vai ocorrer, mais uma vez. Hoje.

Chegou a vez do Renan nos deixar.

Não há dúvidas de que ele fará uma falta tremenda. Com quem vamos escurraçar os emos? Bater feijucas? Jogar um Wiizinho? Zuar as frases ridículas do Skype? Tomar uma breja e papear numa boa no Tagos? Principalmente: com quem vamos falar groselhas na hora do almoço?

Bom, Renan, paciência, a vida continua. É claro que você fará falta ao nosso dia-a-dia, mas desejamos que você detone tudo por aí. E tenho absoluta certeza que não falo só por mim, mas pelo Maia (principalmente), Rafa, Chiarella, Cabral, Miranda, Nico, Aline, Formiga, Morgado (hehe) e muitas, muitas outras pessoas aqui do escritório. Sua passagem no BuscaPé termina, mas a amizade, é lógico, continua.

Quanto a mim, nesse momento, só posso lhe desejar duas coisas:

Sucesso, meu velho. E tudo de bom.


"São só dois lados
Da mesma viagem
O trem que chega
É o mesmo trem
Da partida

A hora do encontro
É também despedida
A plataforma dessa estação
É a vida desse meu lugar
É a vida desse meu lugar"
(Milton Nascimento/Fernando Brant)

17 de out. de 2007

E o Santos ganha um lateral-esquerdo


Sábado passado fui à Vila Belmiro, para assistir ao embate entre Santos e Palmeiras, e acabou ocorrendo uma coisa inédita comigo: quando o time todo entrou em campo, não reconheci todos os jogadores; tinha lá um camisa 3 que eu nunca tinha visto na vida. Como não costumo levar radinho, nem acompanhei a escalação no placar eletrônico, fiquei completamente perdido. Ué, o Luxa não ia fazer uma gambiarra, colocando o Alessandro na esquerda?

Pois bem, começa o jogo. E não é que, com 15 minutos, o menino desconhecido bate uma falta lá do meio da rua, no ângulo do Cavallieri (seria o efeito "Nílton", ocorrido no Santos x Corinthians desse segundo turno do campeonato)? E no segundo tempo então? Mais uma falta. Em seguida, um petardo de longe; além disso, marcação eficiente e boas tabelas com Tabata e Pedrinho. Enfim, um garoto completamente desconhecido que assumiu a responsabilidade e mostrou personalidade.

Quando chego em casa, vejo na TV: era Thiago Carleto, garoto de 18 anos, da base, que aquele dia envergara a 3, manto este que já foi de Léo e hoje é de Kléber.

Tudo bem que foi só um jogo mas, na minha opinião: Carleto titular da esquerda já, e Kléber com a 11, no lugar do irregular Pedrinho. E Pet e Tabata que briguem pela 10. Quanto ao Carlinhos, atual reserva e que está ausente devido a uma cirurgia na panturrilha, pode começar a procurar outro clube.

E assim o Santos FC vai mantendo uma lateral esquerda de muita qualidade nessa década.

11 de out. de 2007

Memória: 45 anos atrás, Santos campeão mundial


Há 45 anos, o auge do futebol-arte

Por ODIR CUNHA

Em 11 de outubro de 1962, uma quinta-feira como hoje, na velha e bela Lisboa iluminada pela magia de um futebol que nunca mais se viu, Benfica e Santos fizeram a segunda partida da decisão do Mundial Interclubes. Ah, tempos que lembrados agora parecem sonho, pois vivia-se o deslumbramento do futebol-arte! Santos e Benfica falavam não só o mesmo apaixonante idioma de Camões, mas também compartilhavam a mesma linguagem da beleza, da classe, da coragem e do jogo limpo. Um verdadeiro encontro de dois mundos gêmeos, que não pode jamais ser esquecido.

Como esquecer uma partida que tinha Pelé e Eusébio no esplendor de suas carreiras? Que tinha o Santos, base da Seleção Brasileira bicampeã do mundo, contra o Benfica, autêntica Seleção de Portugal, que desfrutava o melhor momento de sua história? Como não fechar os olhos e imaginar o Estádio da Luz iluminado pela magia dos craques?

Nunca me conformei de que esta data passasse batida na história do Santos e do futebol brasileiro. Mais do que representar a primeira vez que um time nacional se tornou campeão do mundo, ela simboliza uma época que dificilmente será revivida. Quem viu, viu. Quem não teve a benção de ver, só mesmo através da literatura.

Por isso decidi pesquisar mais sobre o jogo, sobre aquela época, e escrever "Donos da Terra", a ser lançado nos próximos dias pela Editora Realejo, ou Realejo Livros, de Santos. Neste momento, o editor de arte Luis Carlos Almeida está juntando palavras e imagens que logo estarão à disposição dos santistas e dos amantes do futebol. Santos tem a sorte de ter uma Editora como a Realejo, do jovem e idealista José Luiz Tahan, que preserva as boas coisas da cidade em obras esmeradas, imprescindíveis.



O melhor do livro

Se me perguntassem o que o livro tem de melhor, eu responderia:

1 - O depoimento de jogadores do Benfica que participaram da partida, tais como: Eusébio, António Simões, José Augusto, Humberto Fernandes e Fernando Cruz

2 – Fotos inéditas, extraídas de fotogramas do Canal 100.

4 – Cobertura da partida, com fatos anteriores e posteriores ao evento.

5 – Uma boa visão daquele dia, mês e ano, dos acontecimentos daquele início de anos 60.

6 – A beleza da edição de arte.

7 – A concisão, o texto enxuto e, por conseqüência, uma obra sem exageros também no preço, que caberá no bolso de todo leitor.



Ficha técnica

Benfica 2, Santos 5

Primeiro tempo: Benfica 0, Santos 2.

Data: 11 de outubro de 1962 (quinta-feira)

Horário de Lisboa: 22 horas.

Horário do Brasil: 19 horas.

Local: Estádio da Luz, Lisboa.

Árbitro: Pierre Schinter (França), auxiliado por Steiner e Boalilou.

Público: Cerca de 80 mil pessoas, com 73 mil pagantes.

Renda: 2,5 milhões de escudos.

Benfica: Costa Pereira; Humberto, Raul e Cruz; Caven e Jacinto; José Augusto, Santana, Eusébio, Coluna e Simões. Técnico: Fernando Riera.

Santos: Gilmar; Olavo, Mauro e Dalmo; Zito e Calvet; Dorval, Lima, Coutinho, Pelé e Pepe. Técnico: Luís Alonso Peres (Lula).

Gols: Pelé, aos 17 e 26 minutos do primeiro tempo; Coutinho, aos 3, Pelé, aos 19, Pepe aos 31, Eusébio, aos 41, e Simões aos 44 minutos do primeiro tempo.



Texto de Quarta Capa

Vai começar o espetáculo!

11 de outubro de 1962, Estádio da Luz, Lisboa.

Em um jogo deslumbrante, o Santos goleia por 5 a 2 o Benfica, bicampeão europeu, e se consagra o primeiro time brasileiro campeão do mundo. Pelos comentários dos jogadores, do árbitro e da imprensa dá para se ter uma idéia do impacto que aquela partida provocou no mundo do futebol.

"Um espetáculo. Foi uma noite excepcional do futebol. Mesmo perdendo por 5 a 2, nós não nos sentimos derrotados. Saí de campo com uma impressão diferente do que era futebol. O Santos era superior porque tinha jogadores excepcionais. O Santos tinha um time maravilhoso" (José Augusto, ponta-direita do Benfica e da Seleção Portuguesa).

"É muito difícil encontrar tanto craque, tanto jogador inteligente como naquele time. Eu comparo o Santos de 62 com a Seleção do Brasil de 70. Considero as duas as melhores equipes de futebol que eu vi até hoje. A Seleção de 70 é a confirmação de um modelo de jogo que o Santos já vinha demonstrando há muito tempo" (Simões, ponta-esquerda do Benfica e da Seleção Portuguesa).

Sim, neste momento o Santos é imbatível. Seus jogadores se aplicam com ardor, não me parece viável que algum time posso vencê-lo" (Vittorio Pozzo, técnico bicampeão mundial pela Itália em 1934 e 38).

"Em cada posição o Santos tinha jogadores extraordinários, mas foi o Pelé que fez mais. O Pelé é um jogador como ainda não conheci. Ele estava impossível de ser marcado" (Humberto, zagueiro-central do Benfica).

"Mas não era só o Pelé. Tinha o Pepe, o Zito, o Coutinho, o Dorval... Era uma equipe extraordinária" (Fernando Cruz, lateral-esquerdo do Benfica e da Seleção Portuguesa).

"O Santos é uma equipe quase perfeita. Joga sereno, seus homens sabem se desmarcar e fazer passes, todos eles possuem um controle de bola excepcional" (Matt Busby, técnico do Manchester United).

Desde há muito acompanhando o Santos pela Europa, julgo-a a melhor equipe do mundo, superior, inclusive, àquela famosa do Honved (Gabriel Hanot, editor do L’Équipe).

"Foi a melhor partida que vi em toda a minha vida" (Pierre Schwinte, árbitro do jogo).

"O Brasil tem também o melhor clube do mundo"

(France Football, França).

"O que se pode dizer do Santos? Ontem, qualquer equipe teria sucumbido sob sua potência" (Diário de Notícias, Portugal).

"Não há nem pode haver melhor" (Gazeta Esportiva, Brasil).


O fatos do dia, do mês, do ano, os preparativos para o grande confronto, os elencos fantásticos de Santos e Benfica, os geniais Pelé e Eusébio, os lances da partida – enfim, neste livro você terá todas as informações sobre um dos jogos mais importantes da história do futebol, aquele que marcou o auge da era do beautiful game e consagrou o primeiro time brasileiro campeão do mundo, o insuperável Santos de Pelé.

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Odir Cunha é autor de "Time dos Sonhos, a história completa do Santos F.C"; "Pedrinho escolheu um time" e "Heróis da América, a história completa dos Jogos Pan-americanos".

Nota do blog: Um dia ouvi de Pelé que esta partida diante do Benfica foi a melhor exibição de um time que ele viu em sua vida.