18 de ago. de 2008

Essa gente bronzeada e o chororô olímpico (mais um da série "Textos que eu gostaria de ter escrito")

Essa gente bronzeada e o chororô olímpico, por Ruth de Aquino (diretora da sucursal da revista Época no Rio de Janeiro - raquino@edglobo.com.br)
http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI10484-15230,00-ESSA+GENTE+BRONZEADA+E+O+CHORORO+OLIMPICO.html


"A cada medalha perdida, a cada último lugar numa final, a cada travessia suada para uma semifinal, nós somos convidados a chorar de orgulho verde-amarelo, enrolados na bandeira, pelo esforço de atletas excepcionais. É a maior delegação brasileira, 277 atletas, uma população de quase 200 milhões e, até este domingo, tínhamos quatro medalhas de bronze e uma de ouro. Com a ressalva de que o nosso nadador de ouro, o paulista César Cielo, vive e treina... nos Estados Unidos. Que me desculpem, mas não consigo me emocionar com o desempenho do Brasil nas Olimpíadas. Está longe de nosso potencial humano.

Acorda, Brasil, antes de 2016! O incentivo precisa ser consistente e planejado para nossos atletas não chorarem de decepção. Eles são movidos a teimosia e paixão. Carentes de uma política esportiva séria. Dinheiro já existe. O Comitê Olímpico Brasileiro (COB) recebe R$ 50 milhões por ano. Em Sydney (2000), últimas Olimpíadas em que o COB mendigava verbas do governo, ganhamos 12 medalhas: seis de prata e seis de bronze. Em Atenas (2004), foram dez medalhas: quatro de ouro, três de prata e três de bronze. Para onde vai esse dinheiro do COB? Quanto é sugado por despesas administrativas?

“Ainda é cedo para um balanço, porque o Brasil é forte em esportes coletivos, que só rendem medalha no final; e aí a percepção de fracasso muda inteiramente para sucesso”, diz o editor-executivo André Fontenelle, nosso especialista enviado à China. “Mesmo assim, na melhor das hipóteses, ganharemos um total de 18 medalhas, e sempre nos mesmos esportes e com as mesmas figuras. Uma evolução pífia”. Para seu tamanho e dinheiro disponível, o Brasil deveria ganhar umas 30, como a Grã-Bretanha, décima colocada em Atenas.

O brasileiro é bom de briga. Dá para ver pelo judô. A primeira mulher a conquistar medalha em esporte individual para o Brasil foi a judoca Ketleyn Quadros, de 20 anos. Nasceu em Ceilândia, cidade-satélite de Brasília. A mãe a matriculou na natação, mas ela fugia para ver o judô. Aos 10 anos, numa redação escolar, escreveu que ganharia uma medalha. Hoje, em Belo Horizonte, Ketleyn recebe salário do Minas Tênis Clube. Para financiar sua viagem a Pequim, precisou que amigos em Ceilândia fizessem uma vaquinha. Vaquinha para uma campeã?

O desempenho do Brasil nas Olimpíadas está longe de nosso potencial humano. Na categoria de choro derramado, o Brasil já é ouro
A mídia dá cambalhotas para minimizar o constrangimento de anunciar repetidas derrotas para telespectadores insones. Ninguém agüenta mais acordar cedo para ver o Brasil perder. Na falta de medalhas, a mídia entrevista famílias com voz embargada. E vamos todos à maternidade, onde está o filho recém-nascido do Marcelinho do vôlei. Close nos olhos vermelhos de todos. A musa Ana Paula também chora com saudade do filho. E o brasileiro chora junto, porque é sentimental e adora uma novela. Na categoria de choro derramado, o Brasil já é ouro.

Quando uma americana ganha prata, ela se irrita. Quando as ginastas brasileiras ficam em oitavo e último lugar numa final, pulam de orgulho por ter sido a primeira vez. Em patriotismo de resultado, ninguém bate os chineses e os americanos. Para eles, o que interessa é o pódio. Por trás, contam com uma extraordinária estrutura oficial, não só verba. Quando o Brasil conquista medalhas, elas vêm de talentos isolados que vencem adversidades. Ou de um esporte coletivo como o vôlei, mais bem-sucedido por ter apoio de empresas.

Vão dizer que o Brasil tem outras prioridades, como saúde e educação fundamental. Mas, se vamos investir uma fortuna para tentar trazer os Jogos para o Rio de Janeiro em 2016, precisamos evoluir no quadro de medalhas. Por que acabou a obrigatoriedade de Educação Física nas escolas? País anfitrião não pode dar vexame. Não pode deixar a vitória escorrer entre as mãos e os pés.

Olimpíadas não são uma questão de sorte, embora Jade tenha dito que a ginástica é “uma caixinha de surpresas”. Olimpíadas exigem preparo, preparo, preparo. Planejamento, persistência, trabalho a longo prazo. Dinheiro chegando ao destino certo. Atletas não precisam ser heróis nem fenômenos Phelps. Bronze é bom, mas essa nossa gente bronzeada também almeja ser prata e ouro. E aí, ninguém mais segura o choro do Brasil."

30 de jun. de 2008

Clube da Esquina

"Porque se chamavam Homens.
Também se chamavam Sonhos.


E Sonhos Não Envelhecem."



22 de jun. de 2008

"Cortesia em crise", por Walcyr Carrasco

Mamãe defendia regras sólidas de educação. Em uma visita, se a dona da casa oferecesse café com bolo, não podia comer muito.

– Experimente só um pedacinho! – avisava mamãe.

Eu ficava de olho espichado para o doce enquanto a dona da casa insistia:

– Quer mais?

– Não, obrigado.

– Não gostou?

– Gostei, sim senhora!

Sentia o olhar materno faiscando. Aceitava mais um. Depois ouvia:

– Ela vai achar que você é fominha!

Havia regras excessivas. Mas hoje tenho a impressão de que boa parte das pessoas não aprendeu uma sequer. É comum estar conversando quando toca o celular da outra pessoa. Ela inicia um longo papo. Permaneço com cara de paisagem, enquanto a pessoa fala, fala, fala! Acho uma tremenda falta de gentileza.

Outra questão é a do horário em espetáculos. Muita gente acha normal atrasar. O ator Antônio Fagundes proíbe o ingresso depois das portas fechadas. Há quem fique revoltadíssimo. E quem foi pontual é obrigado a suportar o barulho do relapso entrando e procurando o lugar no escuro? Há algum tempo dei uma palestra em uma grande universidade. Durante todo o tempo os alunos entravam e saíam, batiam a porta, faziam barulho. E me desconcentraram totalmente. Pensei: "Que falta de educação! E são universitários!". Na palestra seguinte, impus duas condições: atrasados não entravam, quem saísse não voltava. Virei o "chato". Ótimo. Melhor ser chato do que mandar flores e não receber nem um telefonema de agradecimento, como sempre me acontece. Já cansei de enviar buquês, bombons, panetones e não merecer nem um alô. Sou tonto. Imaginava alguma falha na entrega. Perguntava se a pessoa havia recebido, para ouvir:

– Ah, é, obrigado.

E o inconveniente que vê duas outras conversando? Senta-se na mesa e começa:

– Lembra-se de mim?

Não pergunta se está interrompendo. Desfia a própria biografia sem pausa para respirar. Finalmente, levanta-se:

– Estou indo. Vocês estão bem, não estão? Até mais.

Parte após ter devorado o couvert!

Atores e produtores muitas vezes me encomendam peças teatrais. No início eu me entusiasmava. Agora só me sento ao computador se houver insistência. Muitos nunca mais tocam no assunto, mesmo que eu tenha trabalhado semanas em uma idéia. Já trabalhei como doido até em fim de semana para depois ouvir:

– Ainda não tive tempo de ler!

Em outras áreas, também vi vários casos de pessoas que dão o toque para um trabalho, o outro se entusiasma e às vezes não recebe nem um telefonema de volta. No cotidiano, a falta de educação é a regra: as pessoas furam fila descaradamente, deixam a porta do elevador fechar no meu nariz, não respondem a um "boa tarde" quando me sento no avião a seu lado. As boas maneiras têm sido esquecidas até no que se refere à vida financeira. Já emprestei dinheiro a amigos que não me pagam nem nunca mais fazem referência ao assunto. Fico sem jeito em falar de grana, mas acabo dando um toque tímido. E já ouvi:

– Não paguei porque você não está precisando.

Pode haver maior falta de cortesia? Não honra o compromisso e ainda dá a entender que nem tenho o direito de receber, como se eu fosse um pão-duro ávido por cada centavo? Reajo:

– Pensei que era um empréstimo, não um projeto de justiça social.

O devedor fica mal-humorado e pára de falar comigo. É o cúmulo! Não é preciso ser formal, exagerado. Mas seria bem mais agradável ter de volta um pouco da antiga cortesia, e que as pessoas redescobrissem o valor da gentileza.


e-mail: walcyr@abril.com.br

Batalha das Toninhas: a participação do Brasil na 1º Guerra Mundial - aula do prof. Carlão

20 de jun. de 2008

1994, o ano que mal começou

Aquele triunfo fez muito mal às nossas artes ludopédicas; foi ali, naquela vitória, que o Brasil inventou o dunguismo.
Por Xico Sá


AMIGO TORCEDOR, amigo secador, se 1968 não findou ainda para a história, 1994 é o ano que não acabou para o futebol brasileiro. Nunca um triunfo fez tanto mal às nossas artes ludopédicas.

Tudo bem, você vai dizer que o título veio em boa hora, que atravessávamos jejum digno da quarentena de Jesus no deserto, mas, amigo, foi ali, com heróica vitória nos pênaltis, que o Brasil inventou o dunguismo.

Daquele momento por diante, o brasileiro, pusilânime e carente como prostituta do interior na Sexta-Feira Santa, abriu mão da sua maior virtude: ganhar ou perder jogando bonito. Era uma cláusula sagrada do contrato social do escrete com o populacho. Podia faltar pão na mesa, mas o circo era garantido como se vivêssemos sob ordens do imperador Júlio César na Roma Antiga: "Ad populum panis et circensis".

Falo de contrato pescando aqui o colega Rodrigo Bueno e a sua belíssima crônica sobre o time idem da Holanda. Sim, amigo, lá, o técnico firma em cartório o dever cívico de encher os olhos do público.

Como bem disse José Mourinho, gajo que manja do babado, abrir mão do nosso jogo é, além de burrice, enterrar grande traço cultural e particularíssimo da civilização brasileira. O pior é que o dunguismo, doença infantil do teixeirismo, regime perpétuo da ex-CBD, além de jogar mais feio do que briga de foice no escuro, também não ganha mais nem do Caveirinha Futebol Clube, citando um 11 clássico formado por trabalhadores de funerárias e cemitérios da invicta e gloriosa Recife.

Não, amigo, não é pegar pesado, ou "pessado", como nas piadas em portunhol sobre os argentinos, mas que maçada esses pebolins ou totós humanos que estamos vendo.

Se isso é futebol, eu me chamo Jorge Luis Borges, Adolfo Bioy Casares, Macedonio Fernández, Washington Cucurto, para citar só gênios da escrita do país de Maradona. Na buena onda, nem sou de me irritar ou celebrar feitos canarinhos.

Sempre achei que futebol de seleção e de Copa são para amadores e para quem não aprecia, à vera, a lúdica e grandiosa literatura feita com os pés, a melhor das brincadeiras humanas. Mas o dunguismo é capaz de tirar do sério até o dalai-lama, até Maria do Socorro, minha santa madre, que só vê jogos do ex-escrete.

Certo está o Marcelo, basco-paulista-nordestino, amigo rock n" roll do ABC, que trocou o dunguismo pelo já tradicional desfile de lingeries do programa da Luciana Gimenez. Que alívio mudar de canal nessa hora. Ufa! Eu limpei a vista com a deliciosa pantaneira Juma Marruá, além de passar no "Todo Seu", do genial Ronnie Von, o príncipe.

O duro foi encontrar o Magrão na seqüência, o doutor Sócrates Brasileiro, lá no "Cartão Verde". Inevitável lembrar do fino da bola. Fiquei saudoso como um português numa gare se despedindo de um parente que vai passar apenas uma semana na Europa, como eles chamavam outrora o resto do próprio continente. Até o Vitor Birner, o nosso Ballack, colega da mesma bancada, que também prefere futebol de clube, principalmente nas cores vermelho, branca e preta, estava inconsolável.

Fica Dunga, só assim tiramos uma bela soneca em berço esplêndido e esquecemos de vez este lábaro que ostentas estrelado!

xico.folha@uol.com.br

7 de nov. de 2007

Frase da Semana

"E eu, que estava quase morrendo, pensando que era por causa da cachaça...

Era o leite!!!"

6 de nov. de 2007

Campeões da babaquice

por Sergio Xavier Filho, publicado no Debate Blog da Placar

Demorei para achar o melhor título para esse post. Campeões da babaquice é uma expressão forte, ainda mais quando se está falando de uma instituição exemplar do futebol brasileiro. Pois é, mas o São Paulo merece. O clube mais vitorioso dos últimos anos não precisava adotar tão ridículo comportamento. Ao se proclamar o único pentacampeão brasileiro, o São Paulo venceu com sobras o campeonato nacional da babaquice. Logo o tricolor paulista, clube mais organizado do país.

Para quem não sabe ou não era nascido, reconto rapidamente a história. Em 1987, o futebol brasileiro se rebelou contra a CBF e organizou o próprio Brasileiro, a Copa União. Eram 16 clubes, e foi uma tremenda competição, com a maior média de público da história. Ganhou o Flamengo, o vice foi o Internacional e a CBF não reconheceu o título por causa de um quiprocó que nem vale a pena relembrar.

Com o caneco de 1987, o Flamengo empilhou cinco títulos. É, portanto, tão penta quanto o São Paulo. O curioso dessa história é que o São Paulo presidia na época o Clube dos 13, na pessoa de Carlos Miguel Aidar. O São Paulo organizou a competição que, agora, por oportunismo e ausência de caráter, não quer reconhecer. Como diz Juca Kfouri, diretor da Placar em 1987, é até razoável que o Sport se sinta lesado (o clube pernambucano foi excluído do Clube dos 13 e foi o campeão declarado pela CBF). Quem não tem esse direito é o São Paulo, logo o São Paulo, que inventou a Copa União. Pois o São Paulo aprovou a camisa vendida pela Reebok com os dizeres "Único pentacampeão brasileiro". Que vergonha, São Paulo. Que papelão, Juvenal Juvêncio. Que mico, Marco Aurélio Cunha. Cada explicação furada... Essa babaquice em nada modifica os feitos do São Paulo, os cinco títulos já conquistados com talento e garra. Parabéns, torcedor, pelo brilhante pentacampeonato. Os parabéns, contudo, não vão para a diretoria do clube.

Vivo, não quero mais seus SMSs! Opção de opt-out JÁ!


Como faço para se tornar opt-out e não receber mais spams (aliás, SMSs, da Vivo)?

Ser minha operadora de celular não lhe dá direito a a enviar, pelo menos, uma mensagem por dia, com mensagens tão esdrúxulas quanto "COMPROVADO. A Vivo tem os planos pós-pagos mais econômicos do mercado. Acesse o site e confira www.vivo.com.br".

Caraca... eu já SOU CLIENTE, porque raios de mandar spams via sms, ainda mais com esse tipo de mensagem absurdamente fora de contexto?

E o pior é que tentei responder a mensagem, escrevendo "me tirem dessa lista lista de spam", mas a mensagem não vai, o número ""80001" não existe.

Vivo, não quero mais seus SMSs!
Como faço para que isso aconteça?

Você é um apaixonado por Metrô?


Particularmente, sou ;-).

Descobri ontem esse sitezinho, enviado pelo amigo Rafa Barbosa, que fala um monte de coisa sobre essa carismática forma de transporte público.

Você pode conferir os logotipos dos metrôs ao redor do mundo, monumentos famosos visto de dentro do vagão, fotos, papéis de parede e muito mais.

Clique aqui e divirta-se!