22 de jan de 2007

10 de jan de 2007


Existe algo que você odeia em sua vida? Ódio mortal? Aflição? Não pode nem chegar perto, nem pensar? Acredito que sim.

Existem três coisas que guardo para mim como as que "mais odeio na minha vida". Uma delas é aranha. Putza merda, num posso ver um bicho desses, por menor que seja, na minha frente. Prefiro mil vezes uma cobra na minha frente do que uma baita arainha. Tudo graças aquela porra de filme Aracnofobia. O engraçado é que o Homem-Aranha é o meu super herói preferido.

Outra coisa que me aterroriza é altura. Ir naquela cadeirinha que despenca lá do alto no Hopi Hari? Nem se me pagarem R$ 10.000, 00. Esse ano, estava em Curitiba, na sacada do apê do Coxa, 20º andar. O Bana foi me mostrar o Couto Pereira, estádio fo Coritiba, mas tinha que ficar meio esticado na varanda. Nem fudendo! Fiquei agarrado à porta de vidro. Não vi o estádio mas tb não enfartei, de me ver diante daquela altura gigante.

Mas o campeão mundial pra mim é, sem dúvida, exame de sangue. Eu DUVIDO que alguma pessoa passa incólume a essa dissaborosa sensação. Peguei esse trauma logo de infância, e ele perdura até hoje. Nesse meio tempo, até exames de sangue com 01 e 03 horas de duração eu tive que fazer. É mole? Justo eu, que odeio fazer essa merda, por mais que sejam apenas 15 segundos de picadinha?

Eu tenho que fazer exame de sangue todo ano; devo monitorá-lo, devido a um problema de tireóide. Ou seja, além de odiar fazer essa merda, tenho que colher sangue periodicamente, todo ano, por obrigação. Que merda, ein?

Ontem fui fazer exame de sangue mais uma vez. Cheguei lá, sentei na salinha e já mandei pra simpática menina: "Olha, não vou olhar mais nada daqui pra frente, OK"? E ela mandou um "tudo bem". Em seguida, tive que esticar os braços, para que ela verificasse qual o melhor braço para colher o sangue. Caralho, vou te dizer: nessa hora, o estômago já começa a dar reviravoltas, a cabeça fica mais pesada, os olhos teimam em cerrar em definitivo... desespero total.

Em seguida, aquela limpadinha com álcool bem na parte "frontal" do cotovelo, na dobra do braço. O garrote amarrado no braço. A mocinha pede para que eu feche a mão. A vertigem começa a bater mais forte. Ela pica. O coração vai a mil. Acaba logo, ACABO LOGO, penso eu. Em seguida, bobagens correm minha mente: "E seu eu desmaiar? E se eu, simplesmente, puxar meu braço fora? E se... e se...."

"Calma, tá acabando, falta só um tubinho". Um tubinho?? Ainda tem a porra de um tubinho??? Não tenho mais forças. Não há mais como aguentar. Penso em correr, fugir, gritar. Deus do céu. Não mereço isso.

Acabou. Peço água. Não tem. O médico se predispõe a ir pegá-la. Eu aceito e agradeço. A menina manda um "você ficou com o lábio pálido". A mim não espanta: apenas o lábio? Me surpreende eu não estar morto, estribuchando aqui no chão.

Acabou. Como uma bolacha, dando fim ao jejum que já durava mais de 12 horas. Respiro aliviado. Me sinto um herói, mais uma vez. Consegui. Consegui, caralho! Uhuhu, agora só ano que vem!

Caralho... pensando bem... ano que vem tem outro. E no outro, mas uma vez. E no outro. E assim por diante, até o último dia da minha vida.

É, seringa, garrote, sangue, aveias e aquele bagulhinho onde se apoia o braço para o ato: acho que é melhor a gente começar a se dar bem. Afinal de contas, ainda nos encontraremos muitas vezes até o final dessa minha vida severina.