8 de fev de 2007

Indignação com a Folha de São Paulo

Sou assinante da Folha de São Paulo há mais de 4 anos, desde Agosto de 2002.

Resolvi ligar para cancelar minha assinatura, pois, apesar de adorar o Jornal, não tenho tido mais tempo de lê-lo.

Apesar de meu longo relacionamento com a empresa, fui tratado como um consumidor qualquer, por um atendente que apenas quis me convencer, insistentemente, de continuar com o jornal. Foi um monólogo patético do vendedor, apenas me cobrando justificativas do porquê de parar de assinar o jornal, sem me oferecer reais vantagens de continuar com a empresa.

Finalmente, depois de ter sido "desqualificado" pelo vendedor, acabei conseguindo efetivar o cancelamento da minha assinatura.

Depois de todo esse desgastante e estressante processo, eis que eu descubro que, enquanto para mim, assinanante do jornal há mais de 4 anos, fiel, com renovação automática, que nunca ganhou nada, a Folha não oferece nada de especial, para um qualquer, que nunca leu o jornal na vida, ela oferece mil brindezinhos e coisinhas para atrair novos assinantes.

Veja só, confira você mesmo => http://assine.folha.com.br/folha/assinatura/wass0085.asp

Ou seja: eu, um consumidor ativo da Folha, sou tratado como ninguém. Já um qualquer pode ir lá e assinar o jornal apenas por causa de um DVD Player, um Secador ou um Videogame.

Lamentável, Folha. Vcs não tem o Depto de Relacionamento? Vcs só pensam nos novos assinantes e esquecem os antigos? Vcs não sabem que é mais fácil, mais barato e agrega mais valor à Marca manter um leitor ativo do que apenas explorá-lo, e investir esforços apenas nos novos usuários?

Sem mais,
Thiago Reimão

Mais senso crítico e menos Lucio Ribeirisse


A definição de Indie por um Indie, segundo a Desciclopedia, é a seguinte: “Sou extremamente culto, inteligente. Me visto de maneira fuckin' stylish e tenho gostos excelentes. Odeio tudo que é pop. Amo o underground.”

Por que eu comecei esse artigo com essa definição? é que o Indie não se aplica apenas a músicas, mas sim a qualquer situação onde impere a questão da novidade, do recente, do algo novo. Veja mais esse trecho: “Para se afirmar ”real" na tribo Indie, o mesmo deve eleger como banda preferida uma banda que ninguém mais conhece e dizer que é a melhor coisa do mundo e, se ele conhecer mais pessoas que conheçam a banda, ele a considerará mainstream e elegerá outra banda desconhecida como sua preferida.”

O representante-mór da tribo indie é um jornalista chamado Lucio Ribeiro, especialista em novidades do mundo do rock. Indie rock, é claro. Ou seja, qualquer banda que seja do underground, que não tenha gravadora, que distribua suas música apenas via internet, com os My Space e Last.FM. E, o mais importante, claro: que absolutamente mais ninguém tenha ouvido falar.

Bom, enquanto esse for um estilo(???) apenas do Lucio Ribeiro, menos mal. Ninguém é obrigado a ler os textos do rapaz.. No entanto, a coisa começa a ficar feia e chata quando esse fenômeno se espalha para outras áreas do enttretenimento, que é o que está ocorrendo agora com os já saturados seriados americanos.

O melhor seriado do mundo até pouco tempo atrás, Lost, agora é substituído por um tal de Heroes. Algumas pessoas já vieram falar para mim, com brilhos nos olhos, que Heroes é a coisas mais sensacional da face da terra.

O momento auge para essas pessoas é quando você argumenta com um simples e factual - “mas como eu vou assistir a esse seriado se ele não passa no Brasil”? - a resposta vem imediata: “oras, eu baixei na internet. Assim que passa no Estados Unidos, eu já baixo na Internet”.

Ahá! Achamos o ponto! Analisemos com calma: a mesma pessoa, a singular e única pessoa que se predispõe a ir até o computador e baixar o episódio do tal seriado minutos depois de passar nos USA, depois vem e vocifera com todas as letras que é a coisa “mais legal que ela já viu na face da Terra”. Qual a relação?

Vejo com tristeza que estamos criando uma geração de “Lucios Ribeiros”, onde o verdadeiro hype não é o seriado em si: poderia ser o Lost, o Heroes, o Vilains, o raio que o parta: o que importa mesmo é ver antes do outros e propagar para todos os cantos: “sim, é a coisa mais legal do mundo!”. Mais ou menos como um típico Indie fala sobre uma banda nova. Neste novo cenário, o “legal” é ser o único a ter visto, não importando a qualidade do programa em si.

Alerta vermelho! Temos pela frente o perigo iminente de cair numa cilada: um novo tipo de tribo, onde o sujeito ter ou não visto algo o desqualifica de forma veemente.

Uni-vos, pessoal: se tal programa, banda, filme ou o que quer que seja, for merecedor de crédito, façamos isso. Agora, ficar elogiando algo apenas porque você viu e os outros não, é patético. Por favor: mais senso crítico e menos Lucio Ribeirisse.